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Arcos Narrativos: Definições e Exemplos das 6 Formas de Histórias

Atualizado: 11 de jul. de 2023

Artigo escrito por Joe Bunting

Na vida, pode parecer que as coisas acontecem aleatoriamente, sem razão e com pouco ou nenhum significado.

O cérebro humano, no entanto, precisa de significado. Nós precisamos entender porque as coisas estão indo mal para podermos evitar isso ou porque as coisas estão indo bem para podermos dar continuidade ao que está funcionando.

É por isso que adoramos histórias, porque elas nos dão um senso de propósito, de significado, de forma; e elas fazem isso por meio dos arcos narrativos.


Nas histórias, conseguimos notar a conexão de causa e efeito entre eventos que, de outra forma, pareceriam aleatórios. Temos a chance de experimentar uma realidade mais significativa. Somos capazes de ver através do caos da vida cotidiana e encontrar o padrão por trás dela.

O termo literário que designa esse padrão é o arco de história e os humanos amam arcos narrativos.

Nesse artigo falaremos sobre a definição de arcos narrativos, daremos uma olhada nos seis tipos de arcos mais comuns na literatura, discutiremos sobre como usá-los na prática e, por fim, estudaremos quais são os arcos narrativos mais bem-sucedidos.

Definição de Arco Narrativo ou Arco de História

 

Um arco narrativo, ou arco de história, descreve o tipo de mudança de valores, quer positiva ou negativa, que ocorre no decorrer de uma história.

Essa seria a definição, mas o que de fato isso quer dizer? Vamos esmiuçar melhor esse tópico.

“Se quiser dominar os arcos narrativos, primeiro você precisa conhecer os seis tipos de arcos que existem na literatura. Qual deles você está escrevendo no momento?”

Declínio e Ascensão de Arcos Narrativos

 

Histórias sofrem mudanças. Se não houver declínio ou ascensão da narrativa, então não é uma história e sim uma série de eventos.

O que prende nossa atenção, mais do que qualquer outra coisa, são os declínios e ascensões na história dos personagens.

Tais mudanças podem ser delineadas em um gráfico para formar uma linha curva e, quando fazemos isso, começam a surgir padrões que abrangem histórias de todo tipo.

Aqui está um exemplo simples do gráfico de um arco dramático que Kurt Vonnegut nomeia como “Homem no Buraco”:


O eixo x — a linha horizontal — do gráfico representa a cronologia da narrativa e o eixo y — a linha vertical — representa o valor positivo ou negativo das experiências da personagem principal.

Isso significa que arcos narrativos também podem ser considerados arcos de personagem, ilustrando o desenvolvimento pelo qual eles passam ao longo do enredo.

No entanto, apesar de todos os arcos de personagem também poderem ser considerados como arcos narrativos, nem TODOS os arcos narrativos são arcos de personagem. Em outras palavras, alguns arcos narrativos podem representar coisas sem qualquer ligação com o desenvolvimento das personagens principais, a respeito do que iremos discutir melhor na sessão “Medição de Valores dos Arcos Narrativos” mais para frente.

Os 6 Arcos Narrativos Básicos

 

É claro que nem sempre os arcos narrativos descrevem gráficos tão simples assim. Na verdade, ao invés de uma curva perfeita, a maioria dos arcos narrativos estão mais para algo assim:


Sim, as histórias precisam mudar, mas isso não significa que todas elas vão mudar do mesmo jeito.

Porém, quando se compara os arcos narrativos das melhores histórias ao longo do tempo, começam a surgir padrões e fica claro que eles são muito mais uniformes do que você poderia imaginar.

Isso foi o que Andrew Reagan e seu grupo de pesquisadores da Universidade de Vermont descobriram após analisarem mais de 4.000 das melhores obras da biblioteca do Projeto Gutenberg.

Na verdade, eles descobriram que podiam encaixar as histórias em seis tipos de arcos básicos, que serão listados abaixo. Você pode encontrar o estudo completo, “Toward a Science of Human Stories”, em inglês, aqui (a parte que estamos discutindo começa na página 73).

1. Da Pobreza à Riqueza (Ascensão)

 

Todas as histórias se movem, mas algumas só tem um movimento.

Em arcos narrativos do tipo “Da Pobreza à Riqueza”, esse movimento é uma subida contínua até o felizes para sempre.


Exemplos de arcos narrativos Da Pobreza à Riqueza:

  • Enrolados, da Disney;

  • Conto de Inverno, por William Shakespeare;

  • Orgulho e Preconceito, por Jane Austen;

  • Matilda, por Roald Dahl;

  • Holes, por Louis Sachar;

  • O Bom Gigante Amigo, por Roald Dahl;

  • Minha Bela Dama (filme)/Pigmalião por George Bernard Shaw.

O arco narrativo Da Pobreza à Riqueza é um dos tipos de história mais comuns, porém fica atrás no quesito popularidade de acordo com Reagan, o pesquisador da Universidade de Vermont, que descobriu que outros tipos de arcos costumam ser mais lidos.

2. Da Riqueza à Pobreza (Declínio)

 

Como no caso de Da Pobreza à Riqueza, em uma história Da Riqueza à Pobreza só há um movimento. No entanto, esse movimento é na direção oposta, uma queda ao invés de uma subida.


Exemplos de arcos narrativos Da Riqueza à Pobreza:

  • O Apanhador no Campo de Centeio, por J.D. Salinger;

  • A Revolução dos Bichos, por George Orwell;

  • Ardil-22, por Joseph Heller;

  • Love You Forever, por Robert Munsch;

  • O Retrato de Dorian Gray, por Oscar Wilde.

Em uma história Da Riqueza à Pobreza, o protagonista começa o enredo em uma posição relativamente confortável, mas aos poucos sua situação vai se deteriorando até que, por fim, se encontra em uma condição que não chega nem aos pés da em que costumava viver.

É muito comum que histórias sobre vícios ou sobre saúde mental se encaixem nesse tipo de estrutura.

3. Homem no Buraco (Declínio seguido de Ascensão)

 

Esse é um dos tipos de arcos narrativos mais comuns e bem avaliados, sendo inclusive o tipo de arco que usei em meu livro Crowdsourcing Paris.


Exemplos de arcos Homem no Buraco:

  • O Hobbit, por J.R.R. Tolkien;

  • Alice no País das Maravilhas, por Lewis Carroll;

  • Monstros S.A., da Disney;

  • Procurando Nemo, da Disney.

Muitas histórias, na verdade, usam dois arcos narrativos do tipo Homem no Buraco em sequência, como ilustrado nessa curva:


De acordo com Reagan e os pesquisadores da Universidade de Vermont, essa é uma das estruturas mais populares e o tipo de arco com um final feliz mais popular. Ele diz em seu artigo:

“Nós descobrimos que “Icarus” (-SV 2), “Oedipus” (-SV 3) e dois “Homem no Buraco” em sequência (SV 4) são os três arcos emocionais mais bem-sucedidos.”

Exemplos de arcos Duplo Homem no Buraco incluem:

  • Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, por J.K. Rowling;

  • O Rei Leão, da Disney;

  • Entre outros.

Algumas histórias até contam com vários arcos Homem no Buraco seguidos — se tornando um Homem no Buraco, Homem no Buraco ad infinitum. Senhor dos Anéis e a webnovel de 6.700 páginas, Worm, são exemplos disso.

4. Icarus / Pirâmide de Freytag (Ascensão seguida de Declínio)

 

Esse era o tipo de arco no qual Gustav Freytag estava interessado quando cunhou a estrutura de enredo conhecida como Pirâmide de Freytag (contrário à crença popular, a Pirâmide de Freytag não é a estrutura universal dos enredos, mas sim a descrição de um tipo de arco).


O arco Icarus, nomeado em homenagem à história grega de um garoto que escapou de uma prisão em uma ilha ao construir asas de cera, mas que acabou por cair no mar ao fim, após voar perto demais do sol, é um dos tipos de arcos narrativos mais populares.

Exemplos do arco narrativo Icarus incluem:

  • Jogos Vorazes, por Suzanne Collins;

  • Macbeth, por William Shakespeare;

  • Peter Pan, da Disney;

  • O Velho e o Mar/Adeus às Armas, por Ernest Hemingway;

  • A Culpa é das Estrelas, por John Green;

  • Jurassic Park, por Michael Crichton;

  • Titanic (filme);

  • Grandes Esperanças, por Charles Dickens;

  • O Grand Gatsby, por F. Scott Fitzgerald;

  • The Great Santini, por Pat Conroy.

5. Cinderela (Ascensão seguida de Declínio e então Ascensão)

 


Exemplos de arcos narrativos Cinderela:

  • Frozen, da Disney;

  • Up - Altas Aventuras, da Disney;

  • Como Treinar o seu Dragão (filme/livro);

  • Jane Eyre, por Emily Bronte;

  • Pinóquio, da Disney;

  • Aladim, da Disney.

Se estiver escrevendo algo no mesmo estilo de um filme da Disney, há uma boa chance de você acabar usando o arco Cinderela.

Esse também costuma ser o tipo de arco usado em histórias que seguem a estrutura da Jornada do Herói. Apesar de a jornada do herói ser muito mais complexa que um simples arco, a maioria delas se encaixa no arco Cinderela.

6. Oedipus (Declínio seguido de Ascensão e então Declínio)

 


Exemplos do arco narrativo Oedipus incluem:

  • Moby Dick, por Herman Melville;

  • Frankenstein, por Mary Shelley;

  • Não Sobrou Nenhum, por Agatha Christie;

  • por Agatha Christie; por Vladimir Nabakov;

  • O Sol Também se Levanta, por Ernest Hemingway;

  • E o Vento Levou, por Margaret Mitchell;

  • O Poderoso Chefão, por Mario Puzo;

  • Garota Exemplar, por Gillian Flynn;

  • Hamlet.

Como os Arcos Narrativos se Encaixam na Estrutura Dramática

 

A estrutura dramática são os elementos que compõem o movimento de uma história e cada um dos arcos narrativos descritos acima incorporam essa estrutura. Em The Writing Practice, nós identificamos seis pontos ou elementos do enredo:

  • Exposição;

  • Incidente Incitador;

  • Ação Ascendente/Complicações Progressivas;

  • Dilema;

  • Clímax;

  • Desenlace;

Note que muitas pessoas incluem ação declinante na sua estrutura dramática. Eu não o incluí porque acredito que o termo “ação declinante” seja um tanto errôneo e só aplicável de fato à definição limitada de tragédia de Freytag, na estrutura Icarus, e não para a estrutura moderna dos três atos.

“A estrutura dramática são os elementos que compõem o movimento de uma história e cada um dos arcos narrativos descritos acima incorporam essa estrutura. Domine os arcos narrativos e esses elementos com esse artigo.”

Aqui está um exemplo de como esses elementos da estrutura dramática se encaixam no Arco Narrativo Da Pobreza à Riqueza:


Nesse arco, a exposição tem pouco ou nenhum efeito no movimento e seu objetivo principal é apresentar ao leitor o mundo da sua história e seus personagens.

O incidente incitador inicia o movimento ascendente.

A ação ascendente descreve a tendência ascendente desse movimento.

A combinação do dilema, onde o personagem precisa fazer uma escolha crítica, e o clímax, o momento de maior conflito e ação, é o ápice, o tudo ou nada, o ponto que decide se as coisas vão continuar a melhorar ou piorar.

Por último, o desenlace ou resolução encerra a trama no fim da história com uma ou duas cenas de relativa estabilidade. Desenlace significa desfazer os nós e, nesses momentos finais, as pontas soltas do enredo já devem estar amarradas.

Esses componentes da estrutura dramática podem ser encontrados em cada um dos tipos de arcos e fazem parte daquilo que garante estrutura a eles.

Arcos Narrativos Também Cabem na Estrutura de Três Atos

 

Foi o filósofo grego Aristóteles quem deu a primeira dica de escrita registrada, ao dizer que as histórias devem ter um começo, um meio e um fim. Apesar de não ser o conselho mais profundo do mundo, com o tempo, ele evoluiu para a estrutura de três atos, a estrutura mais usada hoje em dia (diferente da estrutura de cinco atos).

A estrutura de três atos combina perfeitamente com os arcos narrativos, permitindo flexibilidade nos termos do arco que você está tentando criar ao mesmo tempo em que garante uma estrutura que flui de acordo com as expectativas dos leitores.

Apesar de não ser uma lei, no geral, vinte e cinco por cento do arco é o primeiro ato, cinquenta por cento é o segundo ato e os últimos vinte e cinco por cento é o ato final.

Arcos mais complicados podem ter, na verdade, nove atos, em outras palavras, três estruturas de três atos. Séries mais longas ou épicas, histórias com arcos que se combinam para formar padrões mais complexos, podem ter de doze a dezoito ou até vinte e sete atos.

Medição de Valores de Arcos Narrativos

 

No geral, os valores de ascensão e declínio de uma história podem ser expressados em termos de “sorte” dos personagens, mas você também pode ser mais específico e medir o movimento da sua história se baseando em seis valores diferentes da narração.

Você com certeza já ouviu que sua história precisa de conflito, mas o que isso realmente significa? Porque o tipo de conflito que as histórias precisam não é (provavelmente) de lutas de socos e discussões em voz alta (apesar de que, dependendo da história, isso pode ser ótimo!).

Não, o tipo de conflito que a sua história precisa é entre um valor e o seu oposto.

Que valores?

Uma boa história ascende e declina dentro do espectro de um dos seis valores, de acordo com Shawn Coyne, o autor de Story Grid. Esses valores, que seguem a Hierarquia das Necessidades Humanas de Maslow, são os seguintes:

  • Fisiológico: O valor da comida, água, ar, calor e descanso. Vida X Morte;

  • Segurança: O valor da segurança pessoal e em grupo. Dentro dos termos de uma história, Vida X Um destino pior que a morte;

  • Amor/Pertencimento: O valor das relações íntimas e amizades. Amor X Ódio;

  • Estima: O valor das realizações e prestígio pessoal. Realização X Fracasso;

  • Auto-Evolução: O valor de alcançar o seu potencial. Maturidade X Ingenuidade;

  • Transcendência: O valor de se tornar algo maior do que si mesmo. Bem X Mal.

A ascensão e declínio desses valores dita a ascensão e declínio do arco. Por exemplo, em uma história de aventura (usando o arco Homem no Buraco) ambientada no espaço como no filme Gravidade, onde o valor central é a sobrevivência fisiológica, você poderia medir o arco baseado nessa métrica de Vida X Morte.



Vamos esmiuçar esse arco e analisar a ascensão e declínio do valor de Vida X Morte ao longo dos momentos chaves da história:

*Alerta de Spoiler*

Exposição: Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e o astronauta Matt Kowalksi (George Clooney) estão em uma caminhada no espaço no Telescópio Espacial Hubble. Medição do Valor de Vida X Morte: Estável.

Incidente Incitador: Uma colisão com um míssil causa uma série de reações em cadeia no lixo espacial que ameaça destruir boa parte das naves na órbita do planeta. Medição do Valor de Vida X Morte: Surge uma ameaça de morte.

Ação Ascendente: O campo de lixo espacial começa a destruir as naves, incluindo a de Stone e Kowalski, que precisam escapar da Estação Espacial Internacional. Porém, a nave ISS é danificada e eles precisam viajar até a estação espacial chinesa. Durante o trajeto, Kowalski se sacrifica para salvar Stone. Outros eventos ocorrem até que Stone esteja praticamente sem opções do que fazer. Medição do Valor de Vida X Morte: Se aproximando cada vez mais de uma provável morte.

Dilema: Como única sobrevivente da onda de lixo espacial e presa na cápsula Soyuz sem combustível, Stone precisa decidir se desiste ou continua tentando sobreviver. A princípio, ela decide desligar o suporte de vida, mas quando está começando a perder a consequência, uma visão de Kowalski dá a ela a solução final para alcançar a cápsula de reentrada chinesa que ainda funciona. Medição do Valor de Vida X Morte: Quase morte.

Clímax: Stone chega à cápsula de reentrada chinesa quando a estação espacial está prestes a colidir contra a atmosfera. Ela desacopla da estação e começa a cair na direção da Terra quando um incêndio começa. Após pousar em segurança em um lago, ela precisa evacuar a cápsula imediatamente por causa da fumaça e quase se afoga antes de enfim nadar até a margem. Medição do Valor de Vida X Morte: Quase morte, mas surge uma pequena chance de sobrevivência.

Desenlace: Stone dá os seus primeiros passos na Terra, agradecendo Kowalski e enquanto ela vê o lixo espacial queimando na atmosfera da Terra, um helicóptero sobrevoa a área sinalizando o seu resgate. Medição do Valor de Vida X Morte: Sobrevivência por muito pouco!

*Fim do Alerta de Spoiler*

Percebe como a história se move de praticamente nenhuma chance morte para morte quase certa para então chegar na resolução, onde a sobrevivência parece ainda mais preciosa por causa do quão perto a protagonista chegou da morte.

A história se move de um valor positivo para um negativo e então retorna a um valor similar. O arco narrativo é criado por meio desse movimento de ascensão e declínio.

Esse mesmo arco pode ser usado para contar uma história de amor, uma história performática ou até uma história sobre alcançar a maturidade. O arco permanece o mesmo, mas o valores representados pelo arco mudam.

É Possível Usar Vários Arcos Narrativos?

 

Sim! Na verdade, a maioria das histórias tem vários arcos.

A maior parte dos livros e filmes são feitos pela combinação de três enredos, três diferentes escalas de valores como aqueles listados anteriormente:

  • Trama Principal;

  • Trama Interna;

  • Subtrama;

Aqui estão os pontos chaves:

  • Cada trama deve ter o seu próprio arco:

Isso significa que se você estiver escrevendo uma história de aventura com uma trama interna sobre alcançar a maturidade e uma subtrama amorosa — como O Alquimista, um quarto da série de Harry Potter, Uma História em Duas Cidades, O Código Da Vinci — então você terá três arcos diferentes, um para cada trama.

  • Contos possuem apenas um arco:

Por outro lado, se você estiver escrevendo um conto, ele só deve ter um arco e, no geral, esse arco terá apenas um ou dois movimentos.

  • Cada personagem central pode ter o seu próprio arco de personagem:

Se você tiver vários personagens principais ou protagonistas, você pode criar vários arcos narrativos, um para cada personagem.

Se você tiver vários personagens principais ou protagonistas, você pode criar vários arcos narrativos, um para cada personagem.

  • Épicos, novelas, séries e histórias episódicas possuem vários arcos

Algumas histórias possuem mais arcos, em especial séries, épicos ou histórias episódicas.

Novelas, por exemplo, costumam ter tantos arcos em andamento que se você assistir a um episódio aleatório do meio, é provável que ache a história extremamente caótica.

No geral, séries episódicas possuem um ou dois arcos longos que duram a série inteira, enquanto cada episódio tem dois ou três arcos menores.

Sitcoms, de acordo com Noah Charney, costumam seguir essa estrutura:

  • Teaser (exposição) — um a três minutos

  • Problema: História A (incidente incitador) — terceiro minuto

  • Problema: História B (incidente incitador) — sexto minuto

  • Confusão: História A (ação ascendente, dilema) — nono minuto

  • Confusão: História B: (ação ascendente, dilema) — décimo segundo minuto

  • Triunfo/Fracasso: História A (clímax) — décimo terceiro minuto

  • Triunfo/Fracasso: História B (clímax) — décimo quinto minuto

  • Conclusão: História A + B (desenlace) — décimo nono minuto

Em sitcoms — séries de comédia encenadas em ambientes comuns, como bares ou casas, normalmente gravados com plateia e caracterizadas pelas risadas —, esses dois ou três (quando há uma história C envolvida) arcos costumam ser independentes dos arcos principais da série. Às vezes, no entanto, um ou mais deles podem estar envolvidos com o arco mais longo, avançando tramas que já foram estabelecidas anteriormente.

O principal motivo disso é porque, diferente dos livros, não queremos que nossos personagens preferidos nas sitcoms mudem muito de um episódio para o outro. Apesar de personagens principais, como Sheldon de Big Bang Theory, de fato passarem por transformações ao longo da série, suas características principais se mantêm consistentes.

Isso também cria mais oportunidades para os personagens principais fracassarem ao tentar alcançar seu objetivo nos episódios, o que propicia mais oportunidades de fazer piadas com as características e falhas de personalidade mais sólidas deles.

O arco Ross + Rachel, da sitcom Friends, por exemplo, contém vários movimentos ao longo das centenas de episódios produzidos em dez anos, mas tudo se encaixa em um único arco, usando, no geral, a mesma estrutura que a apresentada acima.

“Entender os seis tipos de arcos narrativos e como eles interagem com o núcleo da história é crucial para se tornar um grande escritor. Essas seis dicas irão ajudá-lo a usar essa informação para escrever histórias melhores.”

Como Usar Arcos Narrativos: 6 Dicas de Escrita

 

Agora que você conhece os seis principais arcos narrativos e como a forma da narração interage com o valor central da história, como você pode usar essas informações para escrever histórias melhores?

Aqui estão seis dicas de como usar os arcos narrativos na sua escrita:

1. Acima de tudo, tenha certeza de que a sua história se movimenta

 

Ela pode se mover para cima, pode se mover para baixo, pode até se mover para cima e para baixo, mas ela precisa se mover e esse movimento tem que começar cedo.

Uma narrativa que se mantém no mesmo lugar não é uma história e sim uma série de eventos.

2. Não se preocupe em encaixar sua história em algum arco específico na primeira versão

 

Você pode saber que tipo de arco vai usar quando começa a escrever, ou não. Não se preocupe muito com isso. Apenas conte a sua história (e tenha certeza de que ela se move).

Não me entenda errado: você pode usar esses arcos como base, em especial se a sua ideia ainda está um pouco sem forma no momento. Porém, se você já tem uma ideia bem clara da sua história, não se preocupe muito em tentar encaixá-la nos arcos descritos acima.

3. Se preocupe em descobrir o valor central na primeira versão

 

Se por um lado não é necessário se preocupar em encontrar a forma certa da sua história quando começar a escrever, por outro, você precisa tentar descobrir qual é o seu valor central, o eixo y pelo qual ela irá se mover.

Se conseguir descobrir qual é esse valor, você estará muito mais preparado para garantir que ela se mova da forma que precisa se mover.

Além disso, enquanto você pode até escolher mais de um valor — talvez um valor para uma subtrama ou uma trama interna — se tentar mover a sua história por muitos valores, ela pode se tornar confusa e vai ser bem difícil de trabalhar com ela na sua segunda versão.

Acima de tudo, mantenha as coisas simples. Você sempre pode escrever outro livro, mas um livro que tenta fazer demais pode facilmente se tornar inviável.

4. Conheça bem o seu gênero e a sua forma e considere seus arcos de acordo

 

Formas diferentes possuem diferentes convenções de arcos.

Como vimos anteriormente, a maioria das obras e filmes possuem três arcos, as sitcoms costumam ter dois e a maioria dos contos, por outro lado, só tem um arco.

Os gêneros também possuem diferentes convenções. Histórias de fantasia e romance costumam usar o arco do tipo Cinderela. Histórias de ficção científica preferem mais o Duplo Homem no Buraco. Dramas literários tendem a usar o Oedipus.

Estude o seu gênero e a sua forma para saber quais arcos são os mais comuns. Se descobrir que eles costumam usar um tipo de arco específico, isso não significa que você é forçado a usá-lo também. No entanto, isso deve informá-lo sobre como abordar a escolha dos arcos, mesmo se você escolher usar um diferente.

5. Escreva pensando no dilema

 

Quando está escrevendo a primeira versão, você não precisa saber tudo o que vai acontecer.

Se você estiver mais para um jardineiro do que para um arquiteto, você pode não ter a menor ideia do que vai acontecer.

Porém a melhor coisa que você pode fazer é escrever pensando no dilema. O dilema é o principal ponto de virada de uma história. É o momento em que o personagem se vê diante de uma escolha difícil que determinará o seu futuro.

Esse momento costuma estar localizado no ponto mais baixo do arco ou no seu ápice e costuma ser imediatamente seguido pelo clímax.

Se você conseguir encontrar o dilema, então terá encontrado sua história.

Tudo o que acontece em uma história é como uma preparação para o surgimento do dilema.

6. Encontre os arcos na sua segunda versão e os aprimore

 

Enquanto você não precisa saber qual é a forma do arco principal da sua história ou dos seus sub-arcos na primeira versão, após terminá-la e antes de começar a segunda, descubra qual é o seu arco.

Qual é a sua forma? Como ele ascende e declina? Ele cai o suficiente? Ele sobe o suficiente? Há movimento suficiente?

O objetivo da sua segunda versão é aprimorar o seu arco e torná-lo ainda mais proeminente, fluido e eficaz.

Todas as Boas Histórias Tem um Arco

 

Boas histórias sempre são sobre mudanças e, portanto, todas elas possuem um arco.

Quando encontra o arco da sua história e o melhora, você dá aos leitores o que eles querem: significado.

Todos os humanos precisam de significado. Enquanto o mundo muitas vezes parece confuso, caótico e sem sentido, o papel de um contador de histórias é ajudar as pessoas a encontrar significado em suas vidas.

Por isso nós humanos amamos histórias.

E, logo, é por isso que os leitores irão amar as suas histórias.

Qual dos seis arcos narrativos é o seu preferido? Qual arco narrativo você quer usar na sua próxima história? Compartilhe nos comentários.

PRATIQUE

 

Vamos praticar o uso dos arcos narrativos com um exercício de escrita criativa. Faça o seguinte:

  • Escolha um dos seis arcos narrativos: Da Pobreza à Riqueza, Da Riqueza à Pobreza, Homem no Buraco, Icarus, Cinderela ou Oedipus;

  • Escreva uma história de seis frases baseada no arco escolhido usando os seis elementos da estrutura dramática: exposição, incidente incitador, ação ascendente, crise, clímax e resolução;

  • Em seguida, marque um timer de quinze minutos e expanda a sua história de seis frases em uma história do tamanho que você quiser.

Quando acabar o tempo, poste o seu resultado nos comentários. Se postar, tenha certeza de dar um feedback em pelo menos três outras histórias.

Obs.: Este artigo foi escrito por Joe Bunting e traduzido por Brinn, membro ilustre da Novel Brasil. Eu, Rencmps, fiz apenas a edição. Obrigado por terem lido.

Boa escrita!


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