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As 4 Habilidades Fundamentais para Escrever uma Boa Ficção!

Atualizado: 11 de jul. de 2023

Artigo foi escrito originalmente por J.D. Edwin

Você quer escrever um romance — novel —, mas não tem certeza de como escrever uma boa ficção?

Escrever boa ficção requer tempo e prática. Não tem outro jeito. No entanto, se você estiver procurando por habilidades de escrita específicas e valiosas para focar seus estudos, este artigo é para você.

Você irá aprender as quatro habilidades básicas de escrita que melhorarão você como escritor de ficção, com dicas práticas para aperfeiçoar seu texto.

Era uma vez, uma pessoa que não sabia o que havia de errado com seu livro

Tenho experiência própria em levar as coisas na pressa.

Alguns anos atrás — uns dez anos — tinha terminado de escrever meu primeiro romance. Era uma premissa vaga, já que não fiz planejamento algum: apenas mergulhei e escrevi. Escrevi um romance de 150 mil palavras, algumas páginas de cada vez, durante um período de três anos. Uma vez escrito, passei pelas etapas trabalhosas de edição profissional e publicação independente, então lancei ao mercado.

Obs.: Onze cópias foram vendidas, para amigos e familiares.

Não fiz muito esforço para promover a obra e ela acabou afundando como uma pedra na obscuridade da internet. Uma grande parte disso era que eu não sabia como comercializar um livro de maneira adequada na época, mas havia outro motivo mais importante para que não tivesse promovido o livro.

Ele não era bom.

Verdade seja dita, para uma primeira tentativa, não estava horrível. Mas mesmo naquela época, feliz por ter publicado um livro, tinha uma dúvida persistente no fundo da minha mente. E, no final das contas, não tive coragem de pedir apoio para um livro que eu não acreditava ser bom. Como eu poderia pedir a outras pessoas que acreditassem em um livro que eu mesmo não acreditava?

Porém eu não entendia por que meu livro não era bom.

Reconhecer um livro sem qualidade é uma coisa, mas consertá-lo é outra. Quando tentei descobrir como melhorá-lo, ou mesmo identificar o que exatamente estava errado, não consegui achar nada. E, assim, o livro nunca foi a lugar algum.

No entanto, agora que estou uma década mais velho e experiente, estou ciente do que estava errado.

4 problemas de livros que não são bons

 

Meu livro foi amaldiçoado por quatro problemas fundamentais.

1. Estrutura tenebrosa

 

O livro teve uma estrutura péssima, causada pela falta de planejamento. Ele se arrastou em alguns lugares e correu muito rápido em outros.

Eu estava tão ocupado querendo preencher uma página em branco que nunca pensei em estruturação. Este foi um grande problema.

2. Personagens demais, desenvolvimento de menos

 

O livro tinha muitos personagens e pouco desenvolvimento.

Embora eu estivesse realmente orgulhoso de alguns dos personagens que criei, também houveram alguns que não serviram ao propósito adequado em prosseguir a história.

Em vez de consertar o enredo, minha solução para lidar com momentos difíceis foi simplesmente inserir outros personagens.

3. Excesso de descrição

 

Me considero bom em descrições. Comparado a outros aspectos da escrita, a descrição é algo com o qual tenho uma experiência relativa. Mas eu abusei disso.

Descrevi os detalhes a cada minuto da história. Detalhes desnecessários. Gastei muito tempo configurando cenas que só foram usadas por alguns instantes.

Embora minhas descrições tenham sido bem escritas, elas foram mal usadas e empobreciam a história em vez de enriquecê-la.

4. Diálogo desnecessário

 

Meus personagens falavam demais. Correção: meus personagens falavam demais, sem dizer quase nada. Houve conversas que mudaram nada ou não levavam a lugar algum.

Você sabe o que é isso? É uma chatice.

Um livro com personagens que falam de maneira chata é um livro chato. Sério, ninguém se importa com o que comeram no café da manhã naquele dia ou o que estava tocando no rádio a caminho do trabalho.

Apenas continue com a história de uma vez!

As 4 habilidades fundamentais

 

Estou longe de ser a primeira pessoa a ter esses problemas.

Na verdade, esses são alguns dos problemas mais comuns com romances e contos que são "sem sal".

Quando você é um novo escritor, descobrir exatamente por que seu livro não está funcionando pode ser uma tarefa confusa e difícil.

No entanto, quando se entende as quatro habilidades fundamentais da escrita, você pode não apenas descobrir por que sua história não está cumprindo seu potencial, mas também entender como mudar o que está a limitando de atingir este potencial.

As quatro habilidades fundamentais necessárias para escrever boa ficção são:

1. Estruturação sólida

 

Tenho certeza de que você já ouviu muito isso, e este não é um artigo para entrar em detalhes sobre estrutura. Mas, para simplificar, a estrutura é como a história progride e como seus eventos são organizados. Uma ficção bem escrita tem uma ótima estrutura de história. Olhe para qualquer best-seller premiado ou apenas uma boa história e você verá uma estrutura forte.

Estrutura é onde você decide o que inicia a história, quais pontos da trama levam o protagonista a tomar as decisões que tomou, o que move os personagens e o que trará o clímax — onde todos os pontos pendentes do enredo serão trazidos à tona.

Para se acostumar a trabalhar com estrutura, é importante adquirir o hábito de pensar na ideia de um livro em termos de estrutura antes de começar seu primeiro rascunho.

Quando uma ideia surgir, em vez de deixá-la como um conceito vago — por exemplo, o protagonista embarca em uma jornada —, tente dividi-la nos componentes principais que formariam uma história. Por que o protagonista está nesta jornada? O que impede que essa aventura ocorra bem? Qual é o objetivo da aventura? Como o protagonista muda, para melhor ou para pior, após essa jornada?

Os componentes principais na estrutura de uma história também possuem as cenas principais da história, que devem enaltecer os valores do tipo de enredo da história. Na maioria das histórias, o enredo contém cerca de quatorze a vinte cenas principais, e estaremos abordando os seis tipos principais de enredo, cada um possuindo diferentes tipos de Valores:


Torne isso parte do seu processo de escrita e pense sobre o que acontece na sua história, passo a passo. Aprender a pensar em uma ideia em termos de estrutura o ajudará a ter uma visão melhor de todo o enredo, antes mesmo de ter tudo escrito.

Se sua história não estiver funcionando de um ponto de vista estrutural, pergunte-se:

  • Será que está faltando uma peça importante da estrutura?

  • Ao reler a história como um todo, eu tive a sensação de que tudo fez sentido?

  • Os eventos da história procedem de forma lógica e dão uma razão adequada para os personagens fazerem o que fazem?

2. Desenvolva personagens e emoções

 

Sua história, no final das contas, é sobre alguém.

Não há muitas histórias por aí que não sejam sobre um personagem ou grupo de personagens. Porém personagens são complicados. Você precisa de um elenco grande o suficiente para que todos os papéis necessários na história sejam preenchidos, mas não tantos ao ponto de que os espalhe exageradamente pela trama.

Além disso, seus personagens precisam ser únicos e distintos o suficiente entre si, tendo reações e emoções únicas a cada evento ocorrido. Se seus leitores não conseguem diferenciar seus personagens, então essa não será uma leitura muito divertida.

Frequentemente, um personagem vem à mente como um retrato e um nome. Mas o fato é que um personagem, principal ou não, é muito mais do que isso.

Ao imaginar um personagem, tente pensar além do quem e se concentre mais no porquê dessa pessoa ser quem ela é.

Por que eles fazem o que fazem? O que em suas vidas os trouxe a este ponto? São mais do que apenas "pessoa feliz" ou "pessoa miserável". Por que estão felizes ou infelizes?

Quando alguém quiser saber como foi seu dia, você geralmente começa dizendo que foi "bom" ou "ruim" e desenvolve a partir daí. Uma conversa para conhecer seu personagem é a mesma coisa. Faça perguntas reais e ouça suas respostas. Você pode se surpreender com quão profundos e únicos são.

Se sua história não está funcionando do ponto de vista de personagens, pergunte-se:

  • Cada personagem da história é absolutamente necessário? Será que alguns deles não podem ser combinados?

  • Cada ação realizada por seu personagem serve para mover a história para frente? Caso contrário, eles provavelmente deveriam estar fazendo outra coisa, ou essa ação poderia simplesmente ser ignorada.

  • A maneira como cada personagem reage aos grandes eventos reflete quem eles são como pessoa? Por que reagem dessa forma? Os leitores estão cientes desta razão?

3. Descrição e ambientação

 

A descrição fornece o visual para sua história. Qualquer um pode lhe dizer a aparência de algo, mas usar a descrição corretamente é bastante difícil.

É importante estar ciente do que precisa ser descrito e do que não requer ser mencionado. Um objeto importante para o enredo pode merecer uma página de descrição, mas um transeunte, que não é importante para a história, não merece. A maneira como você descreve algo também é importante.

Ao descrever um cenário, cada componente que você menciona deve ter algum significado para a história. Não se trata apenas de quanto espaço no capítulo você precisa dar para algo importante mas também de quanto você se concentra em partes individuais desta coisa.

Este princípio, citado com frequência em cursos de redação, é conhecido como a arma de Chekhov, que afirma que todos os elementos de uma história devem ser necessários.

Como dito por Chekhov:

Remova tudo o que não tenha relevância para a história. Se você disser no primeiro capítulo que há um rifle pendurado na parede, no segundo ou terceiro capítulo ele absolutamente deve ser usado. Se não fosse para ser disparado, não deveria estar pendurado lá.”

Se sua história não está funcionando do ponto de vista da descrição, pergunte-se:

  • Será que descrevi adequadamente todos os objetos e cenários importantes da história? Meus leitores podem visualizar essas coisas facilmente?

  • Será que descrevi demais coisas que não precisavam ser descritas?

  • Minhas descrições são interessantes? Usei muitos clichês?

4. Diálogo

 

Não há algo mais ativo em uma história do que falar. O diálogo entre os personagens traz o leitor para a situação e os envolve nela. Mas o diálogo entediante e desnecessário os afasta com a mesma eficácia.

Ninguém quer ler dois personagens falando sobre nada demais. O diálogo também mostra a personalidade dos seus personagens e o diálogo ruim expõe personagens ruins, não importa quão bonitos sejam seus "olhos esmeralda" e seu "cabelo dourado".

Um hábito útil para se ter ao escrever um diálogo é definir uma meta para a sua cena de diálogo. Em que ponto da trama os personagens começam a falar e onde você quer que cheguem?

Qual é o objetivo da conversa? Discutir um problema e chegar a uma solução? É para mostrar o quanto dois personagens se amam? E para os leitores entenderem um aspecto particular de sua personalidade ou situação?

Depois de entender onde você quer que seus personagens cheguem após o término da conversa, você terá uma ideia muito melhor do que precisa — e do que não precisa — ser dito.

Se sua história não está funcionando do ponto de vista do diálogo, pergunte-se:

  • Meus personagens falam muito? Cada palavra que eles dizem move o enredo para frente ou mostra algo sobre o personagem?

  • Meus personagens usam muitas palavras para chegar a seu ponto? Às vezes, quanto menos é dito, maior é o impacto.

  • As coisas que meus personagens dizem refletem suas personalidades? Faz jus a sua história de fundo e motivação? Consistência é a chave.

4 maneiras de fortalecer suas habilidades básicas de escrita de ficção

 

Agora que identificamos as habilidades necessárias para fazer uma história funcionar, como podemos exatamente melhorar essas habilidades? Pode parecer muito no início, mas na prática, não é preciso muito para se ter resultados.

Quando decidi melhorar minha habilidade de escrita, alguns anos atrás, a ideia me parecia terrivelmente desafiadora. Melhorar a escrita? Como diabos irei conseguir fazer isso?

No final das contas, não demorou muito. Três anos depois de começar a trabalhar minhas habilidades de escrita, já havia conseguido escrever outro livro. Um livro melhor. Um livro com uma estrutura compacta, personagens bem definidos, diálogos mais aprimorados e a quantidade certa de descrições.

Um livro do qual posso me orgulhar e, desta vez, ter confiança suficiente para promover, que chamei de Headspace.

A construção de habilidades fundamentais não apenas melhora sua escrita, mas também ajuda na revisão e na autoedição. Então, como fazer para fortalecer suas habilidades?

1. Leia livros de escrita

 

Existem muitos livros sobre escrita. Mas me refiro a livros que focam nessas quatro áreas de habilidades.

Procure livros escritos por autores de ficção consagrados. Estas são as pessoas que falam por experiência própria e dão conselhos práticos e úteis.

Há muitas pessoas por aí que questionam a escrita de livros e se a escrita pode ser ensinada. Para essas pessoas, eu pergunto:

Você consertaria um carro sem primeiro consultar um manual ou fazer uma aula?

Você montaria uma prateleira sem instruções?

Você exerceria a advocacia sem primeiro aprender sobre as leis?

Livros sobre habilidades de escrita oferecem os tijolos de que você precisa para criar sua história, e, como construir uma casa, você não pode construir as paredes sem uma base sólida.

2. Leia ficção analiticamente

 

Todos nós gostamos de ler. Se não gostássemos, não seríamos escritores. No entanto, ler para aprender e ler por prazer são dois focos totalmente diferentes.

Na maioria das vezes, lemos ficção para nos perder na história, para ficar completamente imersos e esquecer que o que estamos fazendo é olhar para as palavras no papel. Muitos de nós gostamos de relaxar com Harry Potter ou roer as unhas enquanto lemos Stephen King.

Contudo, para ler analiticamente, devemos lutar contra esse impulso. É um trabalho árduo, mas que vale a pena.

Invés de nos perdermos, precisamos estar atentos ao longo da história e olhar para ela de um ponto de vista objetivo.

Ao ler para analisar e aprender, tente algumas estratégias diferentes.

3. Escreva contos

 

Contos são extremamente importantes. Muitos escritores acostumados a escrever textos longos têm dificuldade em lidar com contos. Acredite em mim, eu costumava ser uma dessas pessoas.

Só que os contos nos trazem enormes benefícios. Aqui estão três razões pelas quais eles são uma prática fantástica para escritores:

  • Eles contêm todos os elementos de estrutura e permitem que você os veja todos de uma vez no espaço de apenas algumas páginas;

  • Eles levam menos tempo para serem feitos, tornando-os menos intimidantes;

  • Em contos, cada palavra conta, o que é incrivelmente útil quando você precisa praticar a escrita compacta e sem firulas.

Tente fazer da escrita de contos uma parte da sua vida de escritor. No mínimo, compartilhar seus contos é uma grande amostra — grátis — para fazer com que os leitores se interessem em acompanhar o seu trabalho.

Quando você não tiver certeza do que escrever, escreva um conto, ou mesmo um microconto, que é, obviamente, um conto muito curto, com apenas algumas palavras.

Histórias curtas mantém as engrenagens girando e suas habilidades atualizadas. Quanto mais contos você escrever, melhores serão suas habilidades para escrever livros.

4. Escreva livros

 

Livros, no plural.

Digo isso porque muitos escritores têm o sonho de escrever um livro. Há uma tendência de ver este livro em sua cabeça como o fim absoluto de tudo.

Mas a realidade, infelizmente, é que seu primeiro livro provavelmente não será bom, e isso não é necessariamente culpa sua.

Quantas pessoas você conhece que realizam uma tarefa perfeitamente na primeira vez?

O fato é que, quando você escreve um livro abaixo da média, é fácil ficar desanimado. Pode parecer que você deu um grande tiro no pé e simplesmente não deu certo. Isso não é verdade.

O primeiro livro é apenas isso... O primeiro livro.

Não pense nisso como uma chance única, mas apenas seu primeiro passo. Seu primeiro livro não se saiu bem? Guarde-o e escreva outro. Talvez o mesmo de um ângulo diferente, talvez um novo apenas por diversão.

Quanto mais livros você escrever, melhor você se tornará em escrevê-los. Além disso, você descobrirá que o segundo livro é mais fácil de escrever. Eu te prometo que você terá aprendido muito com aquele primeiro livro em sua estante.

5 maneiras de ler analiticamente (e aprender a escrever melhor)

 
  • Faça anotações sobre coisas que gosta no livro, tente determinar a razão de gostar delas e como pode replicar o mesmo efeito em seu próprio livro;

  • Anote as coisas de que não gostou, determine por que não gostou e decida como pode evitar essas coisas no seu livro;

  • Observe a ordem dos eventos e como eles se interligam como um todo.;

  • Anote as descrições que são vívidas e eficazes. Você pode até copiá-las em uma lista para referência futura;

  • Dissecar o livro e ver como ele cumpre cada parte da estrutura da narrativa.

Como escrever uma boa ficção: De volta ao básico

 

Escritores que investem tempo fortalecendo suas habilidades fundamentais, especialmente as quatro habilidades básicas mencionadas neste artigo, farão uso de um potencial ilimitado.

Frequentemente, escritores subestimam a necessidade de praticar o básico. E, por causa disso, encontram-se presos nas mesmas áreas fracas de seus livros, se perguntando como escrever boa ficção.

A escrita de ficção não precisa ser complicada, mesmo que a escrita em si seja uma arte a ser lapidada durante toda a vida.

Quando você se concentra nos fundamentos de ficção, incluindo estrutura, personagens e emoções, descrição e cenário e diálogo, suas histórias só tendem a ficar melhores.

Nunca subestime o valor de praticar essas habilidades básicas de escrita de ficção. Com o tempo, você verá uma grande diferença em seu trabalho e, provavelmente, nos comentários dos leitores.

Quais habilidades de escrita você acha que são essenciais para escrever boa ficção? Compartilhe conosco nos comentários.

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