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Elementos de Enredo: 6 Pontos-Chave que toda Novel Precisa

Atualizado: 11 de jul. de 2023

Artigo original escrito por Joe Bunting e publicado em: https://thewritepractice.com/points-of-a-story/

Conhecer a estrutura da narrativa e os principais pontos do enredo é algo essencial para que possamos escrever boas histórias. Mas quais são os pontos principais de um enredo? Como podemos colocá-los em nossos romances (novels)?

A estrutura da história é algo incrivelmente útil, não apenas para a escrita de romances e roteiros, mas também para memórias e até para livros de não ficção.

Neste artigo, falaremos sobre os pontos básicos do enredo e como usar esta estrutura para tornar sua escrita mais natural e eficaz. Veremos os seis pontos principais da trama e falaremos sobre alguns outros pontos que lhe ajudarão a escrever a sua história. Também veremos um exemplo prático de elementos de enredo. Por fim, teremos um exercício de escrita para colocar seu novo conhecimento em ação.

Vamos começar falando sobre o que é o enredo e como isso pode ajudá-lo com sua escrita e roteirização.

O que é enredo?

 

Enredo é uma sequência de eventos na qual o personagem principal é colocado em uma situação desafiadora que o força a fazer escolhas cada vez mais difíceis, levando a história a um evento e resolução climáticos.

Em outras palavras, enredo são os eventos que compõem sua história. O que significa que os elementos, ou pontos de enredo, são os grandes momentos, os eventos que mudam o rumo de tudo.

O interessante é que à medida que as histórias evoluíram ao longo de milhares de anos, as pessoas começaram a reconhecer padrões nesses eventos.

O filósofo grego Aristóteles foi a primeira pessoa registrada a falar sobre os padrões encontrados nas histórias. Outras pessoas criaram modelos completos para a estrutura do enredo, incluindo autores antigos como Horácio a modernos como Gustav Freytag, e teóricos contemporâneos como Robert McKee e Shawn Coyne.

A estrutura da trama descreve estes modelos para entendermos como as histórias são feitas. Isso inclui elementos importantes, como assuntos, personagens e pontos principais da trama.

É por isso que a estrutura da história pode ser tão útil, porque oferece uma maneira de pensar sobre a narrativa que pode ajudá-lo a ter ideias quando bater o branco. Ela nos ajuda a escolher entre as diferentes direções que a história pode tomar. Ela também nos permite avaliar o que está funcionando em uma história, e o que não está.

Uma das estruturas mais populares é a de três atos, sugerida pela primeira vez pelo próprio Aristóteles, que divide uma história em três partes separadas.

A estrutura de três atos é melhor descrita por este conselho de escrita de 100 anos:

“No primeiro ato, coloque seu personagem em uma árvore. No segundo ato, atire um monte de pedras nele. No terceiro ato, faça com que ele caia.”

Os 6 elementos básicos do enredo

 

1. Exposição

 

A Exposição é uma cena, ou conjunto de cenas, que serve para apresentar ao público os elementos básicos da trama.

A Exposição é um ponto inicial de uma narrativa em que nada (que afeta o enredo) acontece, onde apenas definimos para o leitor os eventos, o mundo, os personagens e o tom da história.

O foco é a caracterização, a descrição do cenário e o desenvolvimento dos problemas que começarão em breve.

Para saber mais sobre a exposição, veja nosso artigo completo aqui.

2. Incidente Incitador

 

O Incidente Incitador é o evento que interrompe a rotina do personagem principal e dá o pontapé inicial na trama.

Em outras palavras, o Incidente Incitador é um problema que força os personagens a entrar em ação, tornando-se o primeiro grande ponto de virada da história.

Para que um evento se qualifique como um Incidente Incitador, ele deve atender a cinco critérios:

  • Acontecer cedo: Ocorre no início da história, às vezes na primeira cena, quase sempre nas primeiras três ou quatro cenas;

  • Interrupção: Precisa interromper o ritmo da vida normal do personagem;

  • Fora do controle do protagonista: O Incidente Incitador não é causado e nem desejado pelo personagem;

  • Mudança de vida: O evento deve ter um risco considerável e o potencial de mudar a vida do protagonista;

  • Urgente: Os Incidentes Incitadores exigem uma resposta imediata.

Quando estiver planejando o grande problema que dá início ao enredo de sua história, certifique-se de ele que atenda aos critérios acima.

3. Ação Ascendente/Complicações Progressivas

 

A Ação Ascendente move o enredo adiante através de uma série de eventos e decisões, progressivamente mais complicados, tomados pelo personagem ou elenco principal, levando a uma decisão final de grande importância, o dilema (próximo elemento da trama).

A maioria dos personagens, como a maioria de todos nós, sente tensão na hora de tomar decisões, especialmente nos momentos difíceis. É para isso que serve a Ação Ascendente: para levar os personagens a um ponto em que serão forçados a tomar uma decisão.

A maneira como isso ocorre é colocando os personagens em uma série de eventos e escolhas cada vez mais complicadas. Tudo isso leva a um momento em que o protagonista deve tomar uma escolha que irá definir o rumo do enredo e lidar com as consequências.

4. Dilema

 

O Dilema é o ponto em que um personagem se depara com uma escolha impossível. Essa escolha deve ser entre duas coisas boas, ou duas ruins.

Este também é o ponto de virada mais importante na narrativa. Isso força o personagem a agir, e suas ações trazem consequências – mesmo que esta decisão seja não fazer nada.

Grandes histórias são construídas ao redor de uma escolha única e abrangente. Toda a história será baseada nesse Dilema. O clímax, o ponto de ação mais alto da história, surge diretamente das consequências do Dilema .

Resumindo: se você não tem um dilema, não tem uma história.

5. Clímax

 

O Clímax é o ponto onde o protagonista faz sua escolha do Dilema. É o momento de maior drama, ação e movimento de enredo.

O Clímax se encontra próximo do final da trama, geralmente sendo uma das três últimas cenas (embora às vezes desenlaces mais longos fazem com que o clímax fique mais longe do fim).

Algumas histórias também têm o clímax principal da história no final do segundo ato, não no terceiro. Nesses casos, um clímax menor pode acontecer perto do final.

6. Desenlace

 

O desenlace é a parte final de uma narrativa, geralmente na qual o desfecho da história é revelado.

É o momento em que aprendemos como o mundo se encontra depois de passar por todo o drama da história, seja em escala local, regional ou global.

Após o clímax, a maioria das histórias termina rapidamente, em uma ou duas cenas, que é quando acontece o Desenlace.

Elementos de enredo de acordo com gêneros e tipos de enredo

 

Toda boa história tem os pontos básicos da trama mencionados acima, por isso a importância de conhecê-los. No entanto, como estes elementos se apresentam podem variar, dependendo do tipo de enredo e do gênero da história.

Por exemplo, o Incidente Incitador de uma história de amor é o “encontro fofo”, o momento em que o casal se encontra pela primeira vez, geralmente de uma maneira diferente e engraçada. O encontro fofo é um Incidente Incitador comum em todos os tipos de história de amor.

No entanto, o Incidente Incitador em uma história de vingança e ação, como o clássico O Conde de Monte Cristo ou o filme John Wick, é quando algum grande crime é cometido contra o personagem principal. Um crime que exige retribuição.

Então como podemos identificar que tipos de elementos de enredo devem ser usados em nossas histórias? Estudando as histórias de gênero e enredo semelhantes ao que queremos escrever. Leia, leia. Para entender como contar uma grande história, você precisa antes conhecer as grandes histórias que vieram antes de você.

É importante saber que diferentes formatos de história lidam com elementos de enredo de maneira diferente. Por exemplo, contos terão os seis pontos básicos da trama, mas em um formato minimizado. Eles também podem não incluir outros pontos da trama específicos do gênero.

Usando outro exemplo, séries sitcoms geralmente têm dois enredos: um enredo A e um sub enredo B, cada um com seus pontos de enredo específicos. Esses pontos aderem aos elementos básicos da narrativa, mas eles têm suas próprias denominações específicas do gênero. Aqui está um trecho de The Write Structure sobre como eles se parecem:

  • Teaser (Exposição) - um a três minutos

  • Problema: Enredo A (Incidente Incitador) - minuto três

  • Problema: Enredo B (Incidente Incitador) - minuto seis

  • A Confusão: Enredo A (Ação Ascendente, Dilema) - minuto nove

  • A Confusão: Enredo B (Ação Ascendente, Dilema) - minuto doze

  • O Triunfo/Fracasso: Enredo A (Clímax) - minuto treze

  • O Triunfo/Fracasso: Enredo B (Clímax) - minuto quinze

  • The Kicker: Enredo A + B (Desenlace) - minuto dezenove

Percebe-se que todos os pontos básicos da trama estão presentes, mas são trabalhados na estrutura única do gênero e do formato.

Outros Elementos de Enredo

 

Além dos seis pontos básicos da trama e suas aparições em cada etapa da narrativa, existem alguns outros pontos da trama que também podem ser úteis para a escrita.

1. Ponto Sem Volta

 

O ponto sem volta da trama ocorre diretamente após o dilema e o clímax do primeiro ato. É quando o personagem percebe que a escolha que fez no final do primeiro ato tem consequências tão grandes que ele é incapaz de fazer com que as coisas retornem a como eram antes.

Em outras palavras, o protagonista cruza o primeiro marco da trama e inicia a jornada principal em sua história.

2. Ponto Médio (ou Momento Espelho)

 

O ponto médio, de acordo com teóricos como James Scott Bell, ocorre em algum momento no meio da história. É quando o protagonista percebe que a sua abordagem para resolver os problemas (oriundos do Incidente Incitador e da Ação Ascendente) está diferente de como era antes. Esta mudança pode ter sido causada por uma transformação de caráter, tática, de pensamento ou de filosofia. O protagonista pode ter percebido que a situação nunca foi o que imaginava ou pode ter optado por abordar a situação de uma maneira completamente diferente.

Muitas vezes, o ponto médio é considerado um falso triunfo (o que significa que as coisas ficarão muito piores em breve) ou um falso fracasso (o que significa que as coisas ficarão melhores).

Nesse momento, o protagonista também começa a tomar uma postura ativa. Ele começa a tomar as decisões, colocar a mão na massa, e iniciar a ação, que vai se acumulando até o clímax.

3. Meia Noite da Alma

 

A meia noite da alma é um ponto da trama que geralmente ocorre no final do segundo ato. As tentativas de resolver os problemas falham e a trama chega em um momento de tensão e dúvidas, onde o protagonista e outros personagens questionam suas habilidades de resolver esta situação.

Durante a meia noite da alma, os personagens atingem seu ponto mais baixo, o que direciona o enredo para o grande momento de revelação, o momento em que eles tem a sacada de como finalmente resolver o problema, levando a trama para o clímax e o desenlace da história.

4. Os Doze Passos da Jornada do Herói

 

A Jornada do Herói é uma estrutura narrativa teorizada por Joseph Campbell e depois adaptada para escritores por Christopher Vogler.

Temos um artigo completo detalhando o arquétipo da Jornada do Herói suas doze etapas que pode ser acessado neste link.

Como expandir o esboço de um Romance

 

Independente se formos escritores jardineiros ou pedreiros, ao trabalhar no rascunho de nossos romances, é importante ter uma ideia geral dos seis elementos da trama. Mesmo que não os siga religiosamente, um simples esboço de seis frases pode servir como um guia para quando você se sentir perdido.

No entanto, se você estiver disposto a mergulhar de cabeça nesta abordagem, recomendo que expanda cada elemento contido nestas seis frases. Enquanto que toda história decente possui os seis elementos de enredo, cada um dos atos da trama também contém os mesmos elementos. Isso significa que na estrutura de três atos existem dezoito pontos da trama que podem ser explorados.

O ponto sem volta pode ser usado no desenlace do ato 1, o ponto médio pode ser usado na Ação Ascendente do ato 2, e a meia noite da alma pode ser utilizada no desenlace do ato 3.

Elementos de plot não recomendados

 

Existem alguns outros pontos da trama que não recomendamos o uso, porque eles podem ser confusos, arbitrários ou presentes apenas em certos tipos de histórias.

Pontos de Aperto

 

Existem diversos modelos que fazem uso de “pontos de aperto”, mas a estrutura mais conhecida é a de 7 pontos.


Um ponto de aperto, neste caso, é um momento de virada em que o personagem atinge um ponto baixo, geralmente causado por uma derrota pelo antagonista. De acordo com a estrutura de enredo de sete pontos, temos dois pontos de aperto, com o primeiro ocorrendo entre o final do primeiro ato e o início do segundo, e o segundo ponto de aperto ocorrendo no final do segundo ato.

O lado bom desta estrutura é que toda história deve explorar grandes altos e baixos, fazendo com que a trama passe por uma variação considerável na escala de valores. Se não explorarmos suficientemente os pontos baixos, os pontos altos não serão vistos como tão importantes.

No entanto, este modelo não se encaixa com todas as estruturas de arcos narrativos. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Vermont descobriu que existem seis grandes arcos narrativos, e o diagrama acima é apenas um deles (chamado Arco da Cinderela).

Embora os dois pontos de aperto certamente ocorram em alguns arcos da história, eles não ocorrem em todos os arcos.

Confira nosso guia completo de arcos de história neste link e veja se você consegue identificar onde os pontos de aperto podem ocorrer.

Dica: Meia noite da alma pode ser vista como o segundo ponto de aperto.

Ação Declinante

 

A ação declinante é um dos principais pontos da trama de Freytag. Acontece logo após o ponto médio e seu objetivo é diminuir o ritmo do enredo, encerrar o clímax e guiar a história a sua conclusão.

O problema é que, assim como os pontos de aperto, nem todos os arcos narrativos fazem uso deste recurso. Freytag estava especificamente interessado no arco de Ícaro, ilustrado abaixo:


Gustav Freytag dava preferência para tragédias. Para ele, histórias com finais felizes são fracas. Por isso, sua compreensão do enredo girava em torno deste único arco, e os termos que ele usou, como ação declinante, refletem isso. No entanto, muitas histórias não têm uma ação declinante, ocorrem em momentos diferentes ou até possuem vários momentos de ação declinante.

Com isso em mente, se alguém lhe disser que sua história precisa ter uma ação declinante, agradeça pelo feedback e bola pra frente. É um conselho popular que não se aplica a muitas narrativas.

Exemplo — Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança

 

Vamos pegar o episódio IV de Star Wars e encaixá-lo na estrutura de seis pontos de enredo.

  • 1. Exposição: A galáxia se encontra no meio de uma guerra civil. A Princesa Leia envia uma mensagem de socorro em dois droides para uma pessoa chamada Obi-wan Kenobi. Em um planeta remoto, chamado Tatooine, um jovem chamado Luke Skywalker quer se juntar à rebelião para se tornar um piloto de caça estelar.

  • 2. Incidente Incitador: Luke vê parte da mensagem de socorro escondida em seu dróide que acabara de comprar, R2D2.

  • 3. Ação Crescente/Complicações Progressivas: Tudo que acontece desde quando Obi-wan salva Luke e o convida para aprender sobre a força até a batalha na Estrela da Morte. (Nota: em um esboço de 18 frases, esta seção tende a ficar bem mais detalhada.)

  • 3B. Ponto médio: Tarkin ordena a morte da Princesa Leia e a tripulação da Millennium Falcon descobre que o planeta Alderon foi destruído, e a nave é sugada pelo raio trator da Estrela da Morte.

  • 4. Dilema: Confiar na força, correndo o risco de errar o alvo por ter acreditado em uma "força mistica”, ou confiar na tecnologia, correndo o risco de falhar novamente?

  • 5. Clímax: Luke confia na força e dispara o torpedo que destrói a Estrela da Morte.

  • 6. Desenlace: Luke e Han Solo são recompensados por salvar a rebelião/galáxia.

Exercício

 

Vamos aplicar os pontos do enredo em mais uma história, desta vez Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Dedique quinze minutos para dividir Harry Potter e a Pedra Filosofal em um esboço de seis pontos da trama.

Quando terminar, poste seu esboço nos comentários abaixo.

E, depois de postar, certifique-se de dar feedback para pelo menos três outros escritores.

Bons estudos!

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