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  • Foto do escritorLuiz Gê

Como Gerar Empatia em Seus Leitores.

Uma das maiores dificuldades que o ser humano tem é a de expressar os seus sentimentos. Seja pela timidez ou até pelo medo de ser rejeitado ou ridicularizado, muitos não conseguem colocar em palavras aquilo que sentem.


E na escrita não é diferente.


Já vi vários e vários casos de escritores relatando que escreveram um texto sem emoção ou que não sabem transmitir emoção para o leitor.


Por não conseguirem realizar aquilo que torna a literatura bela, alguns acabam chorando de angústia, de raiva de si mesmos, e pensam em desistir da escrita, se sentindo imprestáveis.


Mas não se desespere, caro escritor(a), pois eu trago a solução!


Você não precisa encher a cara para desabar os sentimentos numa folha de papel — tampouco ligar para o(a) ex, dizendo que está com saudades. Basta ler este artigo até o fim e tomar nota das dicas de escrita emocional que eu separei para vocês S2



Dica 1: Cinco Sentidos


Por ser os olhos do leitor, é preciso utilizar as mais variadas ferramentas para ilustrar a história e não cair no principal erro do: "mostre, não conte", que é justamente contar a história sem elementos visuais ou exposições acuradas.


Em outras palavras, histórias ruins contam sobre o que está acontecendo, enquanto histórias boas mostram o que está acontecendo.


É claro que nem sempre — e é bom deixar isso claro — é possível mostrar o que está acontecendo, gerando novas ferramentas de descrição e exposição de cenas e conflitos.


Assim, fazer uso dos 5 sentidos para descrever eventos, emoções e até revelar a personalidade dos personagens é um bom método para escapar de histórias ruins.


Por exemplo, em vez de escrever:


-> "Maria cheirou a flor e ficou feliz."


Você pode estimular o olfato da seguinte maneira:


-> "O aveludado aroma da flor desabrochou um sorriso entre seus lábios."


Abordar os cinco sentidos não é sinônimo de escrever somente: "ela viu, cheirou, ouviu, provou ou sentiu." Faça uso de adjetivos na medida certa e crie um intercâmbio entre os sentidos.


Nada te impede, por exemplo, de dizer que o aroma da flor é aveludado, ainda que o veludo seja sentido por meio do tato.


Esse intercâmbio é o que, na Estilística, chamamos de Sinestesia e pode ser enriquecedor para a prosa.


Mas na medida certa! Se não, caímos na ribanceira da prosa púrpura, que é tão florida que perde o sentido.


Sabe aquele ditado: "se melhorar, estraga"? Pois é, esse é o real significado da prosa púrpura.



Dica 2: Ansiedade e Apatia


Como definir o ritmo da narrativa? Como escrever acontecimentos mais rápidos e mais lentos?


O ritmo é o andamento da sua história. É um conjunto de acelerações e desacelerações que você escolhe para caminhar até o final da trama.


Certos eventos exigem ações alucinantes e reações imediatas, como uma perseguição policial, por exemplo. E outros eventos pedem por longos momentos de pausa para maior atenção aos detalhes, como um romântico beijo, por exemplo.


Quando estamos falando sobre ansiedade, o ritmo da narrativa tende a ficar um pouco acelerado.


Quase todo mundo sabe quais são os sinais e sintomas da ansiedade, certo? Taquicardia, pernas inquietas, roer as unhas, ranger os dentes, entre outros. Logicamente, todos eles mencionam um ritmo acelerado, o que já contribui para uma escrita menos enrolada e mais direta.


Utilize o modo "mostre, não conte" a seu favor e não apenas diga que "a noiva está ansiosa", por exemplo. Mostre ao seu leitor imaginário — o narratário — que ela está ansiosa e faça com que ele mesmo chegue a esta conclusão.


Acelerar a narrativa não significa atropelar os acontecimentos e apressar os personagens. É tudo uma questão de sensibilidade. Você não precisa escrever sobre quanto tempo demorou a cena anterior, ao passo que não é recomendado ficar pulando grandes espaços de tempo para chegar ao destino final.


Acelerar a narrativa é escrever períodos mais curtos, utilizando menos vírgulas e mais pontos.


Acelerar a narrativa é descrever com mais objetividade e urgência, deixando adjetivações e longas metáforas para depois.


Acelerar a narrativa é investir em ações e menos em pensamentos ou longas divagações, relatando os fatos, sem enrolar.


Por outro lado, desacelerar a narrativa é o exato oposto. Períodos mais longos, momentos reservados para escapar da trama principal, conflitos internos e descrição de sentimentos, maior atenção a pausas e assim por diante.


Quando a narrativa é desacelerada, isso significa que o personagem principal está mais calmo, mas ele não pode ficar — DE JEITO NENHUM! — confortável.


Conflitos devem acontecer o tempo inteiro e todos eles convergem no fim da história. Portanto, quando o enredo é desacelerado, você deve recorrer a outras ferramentas para manter o seu enredo vivo.


Você pode iniciar outra perspectiva, contar a história de outra pessoa, descrever reflexões, etc., mas você não pode deixar a história morrer.


Imagine descrever alguém indiferente, que não é capaz de sentir nada sobre o que está acontecendo ao seu redor.


Para mostrar a apatia na prática, é interessante fazer um contraste de emoções. Coloque o personagem apático em uma situação que exija altos níveis de qualquer emoção, seja surpresa, tristeza, alegria, e insira personagens "normais".


Assim, os personagens "normais" vão reagir de acordo com a situação, contrastando com a apatia do protagonista.



Dica 3: Nojo


Os detalhes fazem toda a diferença. Se eu te contar que meu cachorro teve que parar no veterinário por causa de uma marca específica de sabonete, é provável que a sua imagem sobre essa marca seja manchada com o meu comentário, dependendo também de como é a minha credibilidade. Porém, se você descobrir que eu escondi o fato de que meu cachorro comeu o sabonete, nós teremos uma clara mudança na visão do acontecimento.


Detalhes como esse não deveriam passar despercebido, mas é certo de que nossa perspectiva sobre muitos fatos e fenômenos é fortemente influenciada pela forma como nós verificamos as informações.


Focar no detalhe do cachorro que passou mal e esquecer que o produto foi usado de maneira 100% incorreta revela a intenção da interlocutora, provavelmente com a intenção de manchar o nome da empresa.


Porém, na ficção, privilegiar alguns detalhes em detrimento de outros é uma ferramenta para direcionar a atenção do leitor para a emoção ou perspectiva que você quiser. Isso é bem positivo, uma vez que escritores exageradamente enigmáticos podem ser um pé no saco porque você nunca sabe o que eles querem e do que eles estão falando.


Mas não me entenda mal, um pouco de mistério não faz mal a ninguém — é lógico — e é bom quebrar a cabeça dos leitores para charadas e tramas complexas.


Como eu já mencionei, a ideia nunca é entregar tudo mastigadinho para o leitor, mas sim convidá-lo a participar da aventura que você propõe.


Caso queira provocar nojo no leitor, tente privilegiar alguns detalhes em detrimento de outros.


Enfatizar os detalhes e utilizar adjetivos precisos é a chave para que o leitor seja capaz de imaginar a cena nojenta.


Ainda que o leitor não tenha nojo, por exemplo, de pescar e não veja problemas em manusear minhocas e retirar anzóis de olhos de peixes, invista nos detalhes que causem nojo na personagem.


Se o leitor sentir nojo ou não é uma questão pessoal. O importante é que a emoção esteja presente na narrativa, de uma maneira que vá além da frase: "fulano sentiu nojo."


Ao seguir as dicas sobre como finalizar seu texto, você conseguirá transmitir sentimentos ao leitor, mas ficará em dúvida se as emoções transmitidas são aquelas que você queria transmitir, então lá vai uma dica bônus para vocês:


O que fazer com o seu texto depois

de escrito?


Primeiro, você tem que saber se ele "funciona" ou não; se você deve gravá-lo em pedra ou usá-lo como papel de parede. Você precisa de algum tipo de retorno para ver se escreveu o que pretendia.


Neste momento, você não sabe se ele funciona ou não; você não pode enxergá-lo; está muito próximo dele.


Portanto dê seu texto a dois amigos, amigos próximos, amigos em quem possa confiar, amigos que lhe dirão a verdade, que não tenham medo de lhe dizer: "Detestei. O que você escreveu é fraco e irreal, os personagens não têm relevância, a história é forçada e previsível." Alguém que não tenha medo de ferir seus sentimentos.


Você vai perceber que a maioria das pessoas não vai falar a verdade sobre o seu texto. Elas dirão o que pensam que você quer ouvir: "É bom, gostei! Realmente gostei! Você colocou coisas ótimas nele. Acho ele muito obtuso", o que quer que isso signifique. As pessoas têm boas intenções, mas não percebem que o ferem mais ao não falarem a verdade.


Em Hollywood, segundo Syd Field, ninguém lhe diz o que realmente pensa; dizem que gostaram, mas "não é o que queremos fazer no momento presente"; ou "temos algo como isso em desenvolvimento".


Isso não vai ajudá-lo. Você precisa de alguém que lhe diga o que pensa realmente de seu texto, então escolha cuidadosamente as pessoas para quem entregá-lo.


Depois que elas o lerem, escute o que têm a dizer. Não defenda o que escreveu, não finja ouvir o que dizem e não alimente sentimentos de certeza, indignação ou mágoa.


Veja se elas captaram a "intenção" do que você quis escrever. Ouça suas observações do ponto de vista de que podem estar certas, não de que estão certas. Elas farão observações, críticas, darão sugestões, opiniões, farão julgamentos. Elas estão certas? Questione-as; pressione-as. Suas sugestões e ideias fazem sentido? Acrescentam alguma coisa ao seu texto? Melhoram-no? Veja a história junto com elas. Descubra o que elas gostam, desgostam, o que funciona e o que não funciona para elas.


Você quer escrever o melhor texto possível. Se você sente que as sugestões podem melhorar o texto, use-as. As mudanças devem ser feitas por escolha, e você tem que se sentir confortável com essas mudanças. Esta é sua história, e você saberá se as mudanças funcionam ou não.


Se quiser fazer quaisquer mudanças, faça-as. Você despendeu vários dias trabalhando no texto, então faça-o direito. Mudanças são mudanças; ninguém gosta de fazê-las. Mas todos temos que fazê-las.


Nessa altura, você ainda não pode enxergar seu texto objetivamente. Se quer outra opinião "só por segurança", prepare-se para ficar confuso. Se você o entrega para quatro pessoas, por exemplo, todas discordarão. Uma pessoa vai gostar do assalto ao Chase Manhattan Bank, outra não. Uma pessoa dirá que gosta do assalto, mas não do resultado do assalto (ou eles conseguem fugir ou não); e a outra perguntará por que você não escreveu uma história de amor.


Isso não funciona. Escolha duas pessoas em quem possa confiar e seja feliz com suas primeiras impressões.




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1 Comment


Guest
Jan 01

Obtuso

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