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Introduzindo Elementos Novos na Trama sem Confundir o Leitor


Apresentando conceitos

 

O início da história, esta parte pode ser complicada até para os escritores de longa data. O que devo colocar? Quando, como, onde e quanto?? São muitas questões, e geralmente elas dividem espaço com a apresentação do protagonista — normalmente o foco do primeiro capítulo.


A coisa é ainda mais complicada para aqueles que escrevem em mundos fantásticos. O sistema de magia tá te cutucando ali atrás, as criaturas importantes cheiram seu cangote e os vilões estão com a espada no seu pescoço. Afinal, como eu posso apresentar tudo isso!?


Bem, este artigo serve para — ou pelo menos tentar — responder essa pergunta. E para começo de conversa, nós veremos uma parte específica da apresentação. Antes de como, veremos quando fazer a introdução.


Escalonar as coisas novas

 

De modo geral, as pessoas precisam de tempo para processar uma nova informação e trabalhar nelas com o conhecimento que já possuem. Dito isso, você, escritor, pode se fazer uma importante pergunta: De qual informação o meu personagem precisa neste momento?


É bem comum aqui ocorrer uma confusão sobre "o que o autor acha que o leitor precisa" e "o que o leitor realmente precisa". O pensamento de que o leitor sempre precisa de mais informação é normalmente o responsável por um capítulo entupido de informações irrelevantes disfarçadas com uma máscara mal feita de importância. No fim das contas, só deixa o leitor cansado.


Refaça a pergunta, o que o leitor precisa para entender o agora?


  • Precisa falar do clima estranho para entender o valentão que tá espancando o protagonista?

  • O sistema político do lugar é importante o suficiente para ser explicado só porque uma balinha foi comprada?

  • Preciso saber, nesse exato instante, que o furacão no topo de uma montanha é causado por um dragão que usa vape?


Avalie os elementos, escolha os mais relevantes para o momento em questão e introduza-os. Por fim, desenvolva eles por um tempo antes de adicionar uma outra informação nova. Dê um tempo para o leitor assimilar tudo.


Um exemplo simples dessa “administração de informações” pode ser vista em um dos primeiros parágrafos de 1984, de George Orwell.


Especificamente, é o segundo parágrafo. O ambiente em que o protagonista, Winston Smith, vive, está sendo introduzido.

O vestíbulo cheirava a repolho cozido e a velhos capachos de pano trançado. Numa das extremidades, um pôster colorido, grande demais para ambientes fechados, estava pregado na parede. Mostrava simplesmente um rosto enorme, com mais de um metro de largura: o rosto de um homem de uns quarenta e cinco anos, de bigodão preto e feições rudemente agradáveis.

1984, George Orwell


É uma descrição mais que suficiente para te fazer entender o ambiente da obra, que se mantém equivalente a isso por tempo considerável. Um cheiro desagradável com pôsteres deste homem grudados em toda parte.


E o parágrafo continua:

Não adiantava tentar o elevador. Mesmo quando tudo ia bem, era raro que funcionasse, e agora a eletricidade permanecia cortada enquanto houvesse luz natural. Era parte do esforço de economia durante os preparativos para a Semana do Ódio. O apartamento ficava no sétimo andar e Winston, com seus trinta e nove anos e sua úlcera varicosa acima do tornozelo direito, subiu devagar, parando para descansar várias vezes durante o trajeto.

O foco, como podemos ver, é a apresentação da vivência de Winston. Mas então o que seria essa “Semana do Ódio”? Não é dito, pois não é uma informação importante. Você só precisa entender que a energia foi cortada por causa dela, uma economia para este evento, ao que tudo indica, de grande importância.


A explicação sobre esse evento vem mais adiante, conforme necessidade.


Mostre dentro do contexto

 

E quando chegar a hora de introduzir um dos elementos fodas da obra? Bem, aqui é um bom lugar para você, como autor, fazer um belo favor a si mesmo.


Mostre ao invés de contar. Não sabe a diferença de um para outro? Tudo bem, leia o conteúdo deste link sagrado e volte aqui depois. Continuando…


Nós temos a ideia de que será melhor explicarmos algo previamente ao leitor, assim, quando chegar a hora, ele vai ter todas as informações necessárias para entender o que se passa na situação. Bem, infelizmente não é exatamente assim que o cérebro funciona.


Nós aprendemos ideias e conceitos de forma muito melhor quando presenciamos elas em ação dentro do contexto. Então, quando você tiver uma ideia ou conceito para compartilhar, resista à vontade de explicá-la.


Como no primeiro capítulo de Yu-Gi-Oh! Temos a explicação de que, ao completar o dito “Enigma do Milênio”, aquele que o completou ganha o poder dos jogos das trevas. Bem, isso é algo que só entendemos quando vemos de fato acontecer. Yugi completa o enigma e ganha essa habilidade, que pode ser facilmente compreendida só pelo decorrer da ação em si.


Para outro exemplo inspirador, confira O Silêncio, de Tim Lebbon. A história começa com geólogos abrindo uma caverna subterrânea que foi selada por milênios, liberando uma criatura nunca antes encontrada que rapidamente leva a civilização de volta à idade das trevas. Aprendemos sobre esse terror um pouco de cada vez por meio de reportagens e contas de mídia social.


Primeiro, observamos um animal voador, minúsculo com a distância, derrubando um humano. Então, vemos uma imagem ao vivo, mas distorcida, de asas coriáceas e muitos dentes. À medida que mais relatórios chegam, os personagens começam a chamá-los de vesps – abreviação de viespi. Vespas. Alguém se refere a eles como um enxame de ratos voadores…


De pouco a pouco, nós ganhamos entendimentos sobre esse monstro. O autor entrega aos leitores um certo tempo para fixar a informação ao amontoado de conhecimento que eles já possuem e criar uma “primeira impressão” das Vespas. E por ser mesquinho com os detalhes, Lebbon permite que a intriga se construa à medida que lentamente percebemos que os personagens estão com sérios problemas.


Este tipo de consideração é extremamente importante, principalmente nos primeiros momentos da obra, onde você, o autor, estará numa batalha em busca do interesse do leitor.


Ora, então isso significa que o mostrar é superior ao contar? Aí que está o segredo: Não!


Como acabamos de ver, o mostrar tem um poder muito grande, mas às vezes só queremos resolver um problema de uma vez para focarmos no que realmente importa.


Voltando à Yu-Gi-Oh, o mistério permanece sobre o que acontece quando completamos o Enigma do Milênio, mas sua origem e história é contada através de trechos narrativos e até repetida pelos personagens ao decorrer de toda a apresentação. Uma informação foi contada para que outra, mais importante, ganhasse o devido destaque.


Encontre o equilíbrio certo

 

Por fim, após entender todo o resto, vem aquela questão: O quanto de espaço você deve deixar entre cada apresentação dos elementos únicos? Isso varia de história para história.


Lebbons leva seu tempo apresentando as vespas, usando os primeiros cinco capítulos para mostrar como eles se parecem, seus hábitos de caça e seu ciclo de vida assustadoramente rápido. Uma linha do tempo mais longa funciona para esta história porque há apenas uma nova criatura para apresentar. Porém, em uma história com um sistema de magia, reviravoltas e várias criaturas, o autor não tem muito desse luxo de aguardar um longo tempo.


Uma parte desse processo envolve, sem sombra de dúvidas, a tentativa e o erro, com a clareza do leitor dando o voto decisivo. Pergunte a si mesmo: Os leitores estão confusos ou estão conseguindo seguir o que está acontecendo?


É aqui que os parceiros críticos e os leitores beta são inestimáveis. Se eles puderem ler suas primeiras páginas sem se perder, você está pronto para ir. Mas se eles expressarem confusão ou fizerem perguntas para esclarecimentos (não tenho certeza do que está acontecendo. O que essa coisa deveria fazer? Esse cara é do Império ou dos Stormcloaks?), você vai querer se reagrupar.


Talvez você precise de um pouco mais de espaço entre os novos elementos. É muito provável que algumas dessas novas ideias possam ser compartilhadas mais tarde na história, permitindo que você simplifique a abertura.


No fim das contas, é questão de experiência. Tentativa atrás de tentativa, se aprimorando a cada nova oportunidade.


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1 comentario


Invitado
24 oct 2023

texto foda

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