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  • Foto do escritorPedro Tibulo Carvalho

Semântica e seu Impacto na Narrativa

Atualizado: 22 de jan.

INTRODUÇÃO

 

Já se pegou revisando uma cena tensa e pensando: “Como posso criar mais tensão nessa merda?”


Bem, se você é como eu, isso provavelmente aconteceu uma hora ou outra, contudo, peço que não tema. Esse artigo tratará sobre isso e mais umas tantas outras coisas.


Definições básicas de Semântica

 

O poder das palavras!


Semântica é o estudo das palavras e do significado que a elas está atrelado. O texto é o código pelo qual o leitor decodificará a mensagem que queremos passar, por isso que saber o impacto que uma palavrinha só pode ter é tão importante. Dizer que um dia ruim é a ruína de um homem é uma coisa, falar que Hitler odiava Judeus por ser rejeitado na faculdade de artes é outra totalmente diferente. Note que, num caminho, vou por uma abordagem mais genérica, com menos foco num único sujeito ou evento, enquanto, no outro, tem-se um foco claro, com uma mensagem ainda mais clara, por mais que o significado da primeira frase não fique claro na segunda.


Por isso, temos que saber como vamos falar algo. Este é o segundo passo na criação de um texto, saber o que vamos falar é o primeiro, e por qual meio essa mensagem se espalhará é o terceiro.


Ainda no estudo de semântica, temos a semiótica, que se dedica ao estudo dos significados. O significado é a parte do signo linguístico que representa a ideia transmitida, a ideia abstrata. É o conceito, a origem daquela palavra.


Além do significado, tem-se o significante, que é a imagem acústica da palavra. Pode-se alterar toda a percepção de uma cena apenas usando do significante. A palavra “Rubro”, por exemplo, parece “Bruto”. Em essência, é a mesma coisa que carmim ou vermelho, uma cor, porém, o impacto que “Rubro” tem no leitor é muito mais agressivo que o tom tedioso do “vermelho” e belo e agradável do “carmim”.


Em essência, quando usamos o significante para um significado, criamos no leitor uma imagem mental daquilo que está sendo dito, mudando assim a atmosfera e sentido do texto.


Semântica na Sintaxe


Semântica, como falei antes, é a parte da gramática que estuda o poder das palavras. Agora, como usar semântica na sintaxe? A resposta dessa pergunta é simples, mas complicada.


Pense que nós temos o seguinte período: Na manhã de domingo, Etevaldo voltou para casa e encontrou o seu cachorro, Bilu, morto.


Note que temos nela uma oração coordenada aditiva. A aditiva dá ideia de continuidade, de fluidez. Contudo, essa ideia é meio tediosa para uma notícia impactante e que mudará o sentido da narrativa, sendo melhor aplicada num relato.


Agora, vamos alterar o período para uma oração subordinada adverbial proporcional:


Numa manhã de domingo, à medida que se aproximava da casa, mais próximo Etevaldo estava de encontrar seu cachorro, Bilu, morto.


Note que tem-se um tom muito mais tenso e final, dando ênfase na incapacidade de escapar desse destino cruel que era ver seu amado bichinho morto. Esse é um exemplo de como a mudança de uma oração pode simbolizar toda uma mudança no feeling do texto.



Definições básicas de Narrativa

 

Narrativa


O que define a narrativa é meramente a passagem do estado A para o estado B.


Essa é a definição mais básica que encontrará sobre o tema. Agora, para nos aprofundarmos mais, vamos supor que há um narrador de terceira pessoa heterogênico. Este tipo de narrador é caracterizado pela exatidão dos fatos e ausência de conexão pessoal com a estória. Contudo, apenas por não haver conexão, não quer dizer que não há uma voz narrativa. Um dos objetivos desse artigo é justamente auxiliar os novos escritores a encontrar essa voz.


Quando se tem um narrador indiferente, temos uma difícil tarefa de deixar o nosso conto mais interessante. É possível, apesar de ser difícil.


Instância narrativa


Tem-se, na narrativa, o narrador. Isso é meio óbvio. O que não é muito óbvio é o nome da junção que temos de Perspectiva, Atitude, Voz e Função. É chamado de Instância Narrativa, sendo a salada de fruta da junção desses quatro aspectos.

Agora, o que são eles? Bem, como diria Jack, o estripador; vamos por partes.


Perspectiva é a maneira como a narrativa é apresentada ao leitor. Alguns acham que se trata das pessoas narrativas, mas isso está errado. Enquanto tem certa relação, não é a mesma coisa. Perspectiva trata de coisas como o conhecimento do narrador, qual o viés narrativo, manipulação de informações, etc. Um narrador precisa apresentar um grau de consistência do início ao final. Claro, a menos que o narrador seja um personagem que ficou louco.


Atitude refere-se a disposição, percepção e perspectiva assumidas pelo narrador ao longo da obra em relação a estória e personagens. Isso quer dizer que ela pode ser desde objetiva até parcial. Lembre-se que, desde que fique bom, tudo é permitido na narrativa.


Voz é o ponto de vista, a pessoa narrativa. É aquele que guia o leitor através da narrativa. Há quatro vozes atualmente, sendo elas: Primeira, terceira, segunda e quarta.


E, finalmente, Função. Esta é a parte que se preocupa com o que o narrador vai fazer e quando vai ser feito. Coisas como transmitir emoção; comentar sobre a ação; criar atmosfera e tom; tudo entra aqui. Em essência, são as ferramentas que nós, autores, podemos usar para tornar o nosso narrador, e, como consequência, nossa estória, mais interessante.


A junção de todas essas coisas é o que faz seu narrador. Antes de escrever sua estória, primeiro pense nesses quatro aspectos, para não ficar limitado demais ou ter de reescrever o texto inteiro.


Narrativa de Gestalt


A psicologia de Gestalt é um conceito que já apresentei em outro artigo, mas aqui vai: É a corrente de pensamento que se baseia no estudo que classifica as percepções da pessoa como um todo e não como a soma de suas partes. Agora, como isso é aplicado na narrativa? Simples. Em essência, pense que uma cena acaba com o protagonista voltando para casa e a cena seguinte começa com ele em casa. Não é necessário narrar todo o caminho de volta, visto que o leitor consegue assumir que o que houve ali foi sem importância. Há formas de aplicar a Narrativa de Gestalt para tornar sua estória envolvente, mas vamos tratar disso mais para frente.


Narremas e Funções internas


Narrema é a unidade de ação mínima. Pense nele como o morfema. Assim como o morfema é a menor partícula numa palavra, o narrema é a menor partícula de uma narrativa. É uma ação pequena e sem grande importância, mas importante o suficiente para estar numa cena, pois, sem ela, a cena perderia sentido e impacto.


Já a função é a unidade de ação que compõe um elemento da cena. Em essência, ela se divide em funções nodais e catálises. As nodais são ações nucleares de uma narrativa, que a fazem avançar. Já a catálise é o momento de pausa, onde o autor toma o tempo para explicar algo ou dizer o estado emocional dos personagens ou descrever algo ou alguém.


Semântica aplicada em Artifícios narrativos

 

Pacing


Pacing é nada mais que a quantidade de tinta num capítulo, ou seja, é a velocidade com que as coisas se desenvolvem. Pacing existe tanto como um indicador de gênero quanto modulador de tonalidade, onde textos mais emotivos normalmente possuem mais pausas, catálises, para que haja mais aprofundamento do leitor na cena.


Da mesma forma, quando aplicamos a Narrativa de Gestalt, estamos aumentando a velocidade com qual o texto se desenvolve. Afinal, estamos elipsando uma cena inteira que é desnecessária para o fluxo da narrativa.


Agora, como usamos semântica no pacing? Bem, como disse antes, Semântica é o poder das palavras. Essa força se manifesta de diversas formas — e veremos mais delas depois — e, no pacing, sua principal característica é mostrada quando trocamos as próprias palavras que usamos para algo mais longo, colocando informações adicionais que são desenvolvidas a partir dessas mesmas palavras.


Uma narrativa é um conjunto de ações juntas por pontos-chave e, ao aplicarmos este artifício, estamos apenas alongando os fios de ações, colocando um ou outro ponto secundário no caminho, para manter o fluxo e evitar a perda de sentido.


Um texto mais lento é um texto com mais carga emocional, o problema é quando essa carga não atinge o leitor, até mesmo passando longe de alcançá-lo. Dessa forma, precisamos usar da semântica para mirar direito essa arma e dar ao leitor o que lhe é de direito! A semântica, nesse caso, é como se fosse um regulador que aumenta a distância alcançada pelo atirador. Veja o exemplo:


— Oi, Bobby — disse Natasha, olhando em meus olhos.


— Oi, como vai?


— Vou bem.


— E o marido?


Isso é um texto rápido, mas como deixamos ele mais lento? Mais tenso? Dessa forma:


— Oi, Bobby — disse Tasha, olhando fundo nos meus olhos cor de esmeralda. Ela vestia a mesma roupa de sempre, com o mesmo olhar cansado e sorriso falso. Tentei sorrir também, feliz por encontrar uma velha amiga dos meus tempos de escola.


— Oi, como vai? — Tentei parecer o mais natural possível, forçando-me a ver o lado bom das coisas. Esta era uma característica que muitos achavam admirável e me renderam o título de “Robert, o Otimista”.


Era algo bem besta e que preferia que o pessoal do trabalho não soubesse disso tão cedo.


Fingindo um sorriso uma vez mais, ela virou a cabeça para baixo, como se para esconder algo. — Vou bem. — Senti meu coração rachar com a voz trêmula dela.


Sempre tive uma queda pela Tasha, sempre uma mulher bonita, com cabelo ruivo e olhos de um belíssimo azul elétrico.


Era uma das minhas paixonites, assim como um dos meus maiores arrependimentos. Ter sido incapaz de a salvar, de a proteger sempre pesou nos meus sonhos. Mesmo agora, casado com uma mulher de sucesso, ainda não conseguia esconder os sentimentos que tinha pela Tasha.


— E o marido? — Juro que tentei ao máximo manter o veneno fora de minha voz, tentei acalmar-me e manter o otimismo, mas como poderia? Como poderia manter um sorriso no rosto ao lembrar daquele monstro?


Entenderam o que eu quis dizer? Notem que o segundo texto tem o mesmo sentido, porém há nele mais tensão, mais emoção e mais detalhamento. Além disso, tentei ao máximo manter as informações conectadas, sempre uma levando a outra. Esta é a essência da semântica no pacing, a capacidade de inserir informações sem perder a mão.


Por isso que estudamos semântica, para ter certeza de que nosso texto, além de claro, será conciso e coeso. O poder das palavras se manifesta tanto em palavras únicas, com o mesmo significado mas grafia diferente, quanto a própria forma como ligamos múltiplas palavras, completando o sentido uma da outra e levando a uma forma maior. O todo é maior que a soma de suas partes, lembram?


Pulso


Pulso de enredo é quando colocamos num capítulo algo emocionante para manter o leitor entretido, normalmente acontece a cada quantidade x de palavras (depende da mídia, estilo e da carga emocional da informação).


Em essência, é o que mantém o leitor com os olhinhos grudados no livro. Pode ser uma reviravolta, uma emoção que o personagem sente ou uma ação-chave, que muda a direção da estória.


Para aplicarmos semântica nesse pulso de enredo, precisamos nos ater a emoção. Nós aplicamos isso normalmente quando queremos manipular a frequência que usamos o pulso de enredo. Pare para pensar da seguinte maneira: uma palavra tem uma etimologia (uma origem) e uma sonoridade (imagem acústica). Ao aplicarmos semântica no pulso, estamos usando a linguística para criar no leitor mais emoção.


Ao usarmos a palavra “justo”, queremos dizer que a pessoa é, bem, justa.

Contudo, quando queremos associar outra característica a ela, uma que deixe no leitor uma imagem fixa, podemos dizer que o personagem “possui moral e mantém uma ética espartana”. Note que estamos falando a mesma coisa, porém associamos ao personagem a palavra “espartana”, que traz a ideia de seriedade e disciplina, associada, normalmente, ao exército.


Isso, num contexto onde ele está numa zona de guerra, faz o leitor associar, ainda que inconscientemente, o personagem a uma figura importante num exército. Isso ocorre pois há uma imagem coletiva de que pessoas importantes são sérias no que fazem. Em essência, com essa descrição, damos ao leitor a imagem de um comandante sério e justo, que cuida bem dos seus subordinados. Isso tudo nos permite introduzir um pulso com muito mais impacto no texto.


Afinal, quando alguém tão sério e competente é o primeiro a quebrar, só mostra o quão desesperançosa é a situação atual.


Cliffhanger


Aos que não conhecem, Cliffhanger, ou gancho, é quando colocamos algo no final de um capítulo para prender a atenção do leitor. É uma tática muito usada para ter certeza que o leitor continuará lendo o livro, mesmo que já tenha lido cinco capítulos, um atrás do outro. Visto isso, como fazer para aplicar a semântica nesse tipo de técnica?


Pense no seu capítulo na relação de um atleta com uma esteira. Você tem a esteira como o conteúdo do texto e o atleta como o leitor. Agora, imagine que a velocidade pela qual a esteira corre é o pacing da obra, com alguns goles de água como o pulso. Onde o cliffhanger entra? Bem, o Cliffhanger seria mais uma garrafa de energético que damos ao leitor depois de uns quatro ou cinco copos de água. É aquilo que renova a energia e interesse do leitor em continuar o exercício mental da leitura.


O sabor desse energético, a fórmula dele e o quão bem ele cai no estômago são questões que podemos controlar através da semântica.

Imagine-se lendo um capítulo onde o protagonista começa num trem em movimento e termina segurando um galho ligado a um penhasco, preso entre a vida e a morte. Enquanto é um exemplo tosco e muito utilizado, permita-me fazer uma pergunta para vocês, jovens escritores: “Por que o leitor deve se importar com a vida do protagonista?” Enquanto é uma pergunta cruel, insensível até, não podemos deixar de ver a importância dela. Normalmente, o protagonista é aquele que nosso leitor acompanha por maior tempo.


Agora, digamos que você não tenha tempo para desenvolver o personagem? Digamos que começou a história no meio da ação, no clímax do clímax, e o conto se baseia em como o personagem chegou até aí. Como fazer para que o leitor se importe? Bem, assim como o Pulso, aplicamos palavras que tenham o mesmo valor que a situação presente. Desta forma:


Quando penso na situação atual, vejo que desperdicei minha vida. É aqui que vou morrer? Preso num galho, no meio do nada?


Patético.


Esta era a melhor palavra que me definia. Um homem triste e covarde, que desperdiçou sua vida indo atrás do sonho de outros. “Aqui jaz Theodoro Martines, descanse em paz.” Isso sem dúvida estaria escrito na minha lápide e não podia reclamar. Quer dizer, nunca me arrisquei, nunca tentei brilhar, nunca fiz nada demais!


As lágrimas caiam livremente conforme lembrava das várias telas brancas que podia ter pintado, ou daquela garota, qual o nome dela mesmo? Isadora? Não importa… Nada mais importa.


O galho já começou a ceder e não demoraria muito para cair deste Zênite. Olhei para cima, amaldiçoando Deus pelo belo dia que fazia. Nenhuma nuvem no céu… um excelente dia para um zé-ninguém morrer.


Ouvi o som das raízes rompendo e fechei os olhos, permitindo que a força de meu peso me afundasse. Conforme caía, peguei-me lembrando da minha infância… que desperdício. Bem, não acho que possa parar estas memórias.


Sim, não podia pará-las e, conforme marchavam, uma me chamou a atenção, um sorriso tenro se abriu.


Como viram, usei da ideia apresentada para criar uma situação onde o leitor fica interessado com uma quebra de expectativa. O elemento de um “sorriso tenro” nos remete a ideia de paz, carinho, amor; o que nos faz nos questionar o que poderia ter trazido a esse personagem, alguém que viveu uma vida sem sentido e que queria continuar vivendo, a paz que tanto queria.


A semântica tem esse poder. Eu poderia só ter dito que ele sorriu, ou que sentiu paz, mas note que o elemento “Tenro” renova a vontade do leitor de ler e, a partir daí, nos permite começar uma história de como ele chegou até aquela memória, mantendo o interesse do leitor até o final do terceiro ou quarto capítulo, onde incluiremos o Cliffhanger a cada dois capítulos para fazer o leitor virar as páginas até o fim, onde Theodoro Martines enfim cairia para a morte.


Uma palavra pode mudar todo um texto, de forma que aquilo que era chato e desinteressante acaba tornando-se uma faísca de potencial, que, nas mãos certas, desabrocha num enorme fogo, cuja intensidade é tamanha que é impossível desviar o olhar.


Tensão semântica


Tensão é um termo comumente associado ao enredo. A ideia está intimamente ligada ao estruturalismo, onde tem-se estruturas narrativas para manipular a curva de tensão e prender todos que leem o texto. A tensão deve ser, portanto, manipulada com cuidado excessivo, onde qualquer técnica pode ser usada.


Nesse artigo, vimos vários conceitos práticos na aplicação de semântica dentro da narrativa, e isso vai continuar.


Para aplicarmos semântica e manipularmos a curva de tensão, devemos pensar primeiro nela como um gráfico que sobe, com ocasionais quedas, até atingir o cume mais alto e disparar para o chão como resultado. A tensão é o resultado da relação do narratário com o conflito mostrado, o sentimento que o mesmo narratário sente ao ler um texto. Portanto, é simples aplicar a tensão em semântica ao escolher palavras que provoquem algum tipo de reação que amplifique ou quebre o sentimento que o nosso leitor tem com determinada cena.


A semântica pode ser usada para diminuir ou aumentar a tensão. No primeiro caso, queremos usar palavras mais leves, que passem o sentimento de que está tudo bem, que o conflito aparentemente terminou. No segundo, usamos do conhecimento do gênero que escrevemos para escolher qual linguajar usaremos, usando de palavras que passem bem a sensação do que está acontecendo, tanto na imagem acústica quanto na relação significativa.


Quando falo de imagem acústica, digo como a palavra se parece, o que ela lembra. Pode-se falar “grande” para algo, bem, grande, mas também pode-se usar “colossal” para uma figura humana com alturas desproporcionais, ou “mastodôntico” para alguma besta imensa. Note que ambas evocam imagens diferentes com base na raiz delas, de onde elas vem. Colosso para colossal e mastodonte para mastodôntico. Como tudo nesse artigo, porém, lembre-se de usar de forma que não fique muito na cara, use uma vez a cada mil palavras, no máximo.


Além da imagem acústica, tem-se também a relação significativa por detrás desta palavra. Nisso, nós lidamos muito mais com a relação de significação dentro do texto. Como relacionamos as palavras de cada parágrafo para podermos aumentar gradativamente a tensão a cada linha lida. Invés de focarmos em usar os significantes (imagem acústica) de forma explosiva, usamos os significados constantemente numa mesma cena, buscando consistência invés de poder de mudança.


Isso é especialmente efetivo quando se quer criar a sensação constante. Para tal, é preciso um controle não só semântico, como também sintático, usando de cada termo numa oração para definir o sentido do texto. Orações subordinadas adverbiais conformativas são mais rápidas que coordenadas adicionais, por exemplo, pois são duas informações sendo apresentadas quase que ao mesmo tempo, quase que numa mesma oração.


Este artifício, por ser muito mais sútil, pode ser usado mais vezes pois não são todos que reparam nisso, desde que liguemos as orações de forma que não se repitam mais de uma vez a cada três parágrafos, pouquíssimos leitores vão perceber, e, mesmo os que perceberem, precisarão procurar por essa informação.


Voz através da semântica


Voz nada mais é que a forma que o leitor tem de identificar quem está falando/narrando. A forma como aplicamos a semântica nisso, portanto, é simples. Dialeto.


Quando se tem um personagem ou narrador que fala através de uma linguagem específica, tem-se também uma imagem mental, formada no inconsciente do leitor, de quem está falando. Um caipira, um político e um homem comum tem formas diferentes de se expressar e podemos usar disso para criar a voz.


Conclusão

Vê-se, portanto, a importância da semântica dentro da narrativa. Não se pula essa parte e nem nenhuma outra quando se inicia os estudos, fazer isso fará com que aprenda errado e tornará muito mais difícil no futuro corrigir este erro.


Dito isso, nos vemos num próximo artigo.


441 visualizações2 comentários

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2 Comments


Guest
Jan 17

Sabe muito

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Guest
Jan 14

Vou imprimir e colar na parede de um musel, pq senhores, que obra de arte!


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